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Plus Size sim com muito orgulho! - Entrevista com Zairah Faruk





Nefertiti  Belly Dance Plus Size 
(esquerda p/ direita)  Zumarrah Acbas, Zairah Faruk e Vanessa Verdasca


Para quem não sabe, Plus Size é um termo inicialmente utilizado pela conhecidíssima bailarina e pesquisadora americana Shira, que em seu famoso website escreveu artigos incentivando mulheres cheinhas a se destacarem na Dança do Ventre

Recentemente no Brasil, a bailarina Zairah Faruk fundou o grupo NefertitiBelly Dance Plus Size, motivando  as brasileiras a perderem o preconceito com o próprio corpo.

O corpo arredondado sempre fez parte da própria tradição da Dança Oriental, considerando que nos países árabes a beleza feminina tem uma padrão diferente em relação ao Ocidente. Em certas regiões da África  a escassez de comida leva determinados grupos étnicos relacionar gordura com fartura, riqueza e saúde.

A relação beleza, magresa e saúde é também moderna no Ocidente, se você olhar um pouco para trás observará em pinturas antigas que as beldades pintadas exibem ventres fartos e quadris avantajados. 



Zairah durante o Belly Dance Nights de Patricia Bencardini

Beldades esqueléticas fazem parte de um padrão estabelecido pela indústria da moda que tem como princípio utilizar cabides humanos no lançamento de novos produtos. 

Enfim, um padrão que parece ter invadido o mercado da Dança do Ventre brasileira. Com justificativas comerciais talves para eliminar aquela pergunta estereotipada: "Dança do Ventre dá barriga?" ou porque fazemos parte de uma era em que tudo deve se encaixar  em uma linha de produção, e a arte virou produto a ser vendido em prateleira, com etiqueta de preço, embalagem etc...

Bailarinas qualificadas por peso, qualidade dos cabelos, unhas, figurino - alguém se lembra de como as escravas eram selecionadas nos mercados? Pois é, da mesma forma, contando-se os dentes, assim como os cavalos e os camelos.

Beleza é importante, cuidado e higiene  do corpo também, mas ser escravo de uma linha de montagem não condiz muito com os princípios de liberdade feminina fundados pela Dança do Ventre.  

Magreza também não está relacionada à saúde, mas com o tipo de metabolismo do corpo ou por outras condições físicas e psicológicas. Uma pessoa magra pode ter colesterol altíssimo, por exemplo. 






Zairah Faruk - photo Renato Garcia






Aqui começamos nossa entrevista, e espero isso motive outras mulheres a se aceitarem mais na beleza que a Natureza ofereceu para elas e não se limitem a serem parte da platéia, mas a defrutarem  dessa benção que é dançar.




IZ - Quando e por que você começou estudar a dança oriental?
ZF - Iniciei meus estudos de dança oriental em 1992, com a professora e bailarina Cláudia Cenci que na época dava aulas no Clube Sírio Libanês e foi lá que comecei a fazer aulas. É interessante ressaltar que quando eu comecei a aprender o material de dança Oriental não era tão acessível como é hoje em dia. 
Eu assistia  assisto até hoje vídeos das bailarinas mais renomadas do Egito que me foram apresentadas pela Simone Bomentre, que possuía um enorme acervo de vídeos incríveis. Na época não tínhamos a facilidade de assistir vídeos no youtube, então era mesmo estudar em fitas de VHS.
No início da minha carreira como dançarina eu me julgava o patinho feio, porque acreditava nunca estar bem preparada para dançar. E aos poucos eu fui superando essa barreira criada por mim mesma e hoje estou ai batalhando pelo meu sonho. Depois eu fiz diversos workshops com as mais conhecidas bailarinas de renome, entre elas Soraya Zaied, Gisele Bomentre e Sherazzade Kundalini a grande mestra das mestras.
Acredito que nós devemos estar em constante aperfeiçoamento e por esse motivo, acredito que ainda sou uma aprendiz e vou ser uma eterna aprendiz. Tenho plena consciência que não serei uma super estrela mesmo porque, eu tenho uma profissão que não é relacionada à dança, mas enquanto dançar me fizer bem eu continuarei.


 "A melhor forma, de acabar com o preconceito, é enfrentá-lo!
  Dançando sempre e mostrando que somos capazes de
 realizar a dança do mesmo jeito que as magras. 
A dança é feita pra todas nós mulheres, sem restrições."


IZ - Quem tem inspirado mais em suas danças? Por quê
ZF - A minha eterna inspiração Era de Ouro egípcia. Entre as estrelas dessa época a que eu mais amo é a Naima Akef. Também estudo muito: Samia Gamal, Suhair Zaki , Fifi Abdu e Hayetem. Na minha humilde e sincera opinião, é de suma importância que nós bailarinas estudem as dançarinas egípcias, principalmente desta época.Em relação as bailarinas da atualidade eu estudo os vídeos seus que eu gosto muito, os da minha querida irmã de dança, Yasmine Amar, Yasmin Namum (que é divina), Patrícia Bencardini e Serena Ramzy que  dispensa qualquer comentário. Em cada uma eu encontro algo que possa acrescentar  e  aprimorar o meu estilo de dançar. 





IZ - Quando surgiu essa idéia de um grupo “Pluz Size”?
ZF - Bom, a idéia do Plus Size surgiu como um insight depois de eu ler algumas coisas em blogs e até mesmo no Facebook e Orkut, que eu pessoalmente, considerei um absurdo ao meu ver. Não convém e não há necessidade de comentar.
Então eu pensei – por que a dança do ventre feita exclusivamente para mulheres, pode ao mesmo tempo excluir grande parte das mesmas? Tudo porque estão fora de um “padrão”  pré-estabelecido sei lá por quem e em quê momento?
Andei analisando vídeos de bailarinas estrangeiras e percebi que a visão da dança em outros países é puramente cultural. Não existe aquela visão medíocre de que só as magras e esbeltas podem dançar. Em muitos dos vídeos que eu vi, as bailarinas são muito aplaudidas e não há nada que às impeça de dançar com graça e beleza.
Então, após conversar com muitas bailarinas eu tive a idéia de reunirmos e formar um grupo. Recebi o apoio de diversas pessoas entre elas Nete Salmah que apoio a idéia e batizou o Grupo como Nefertiti Belly Dance Plus Size.
A idéia foi bem aceita e acredito que vão surgir muitos outros grupos com esse mesmo estilo. Mesmo porque, aqui no Brasil existem muitas bailarinas “gordinhas” - carinhosamente dizendo - e que são super famosas e arrasam na dança do ventre.






IZ - Padrão de beleza definido pela Indústria do Entretenimento. Até quando viveremos sob um olhar masculino em relação a mulher?  Não está na hora de quebrarmos com essa submissão?
ZF - Certamente. Cabe à nós mulheres fazermos por onde superarmos essa barreira. Padrões de beleza impostos pela indústria pode fazer com que você se sinta excluída da sociedade. Falo isso por experiência própria, diversas vezes da minha vida eu me senti fora do contexto por não ser uma modelo de capa de revista. Isso me fazia se sentir incapaz de realizar meus sonhos. Um deles era dançar. Hoje eu consegui lutar contra toda essa barreira e mostrar que a Arte é vista em diversas formas e sobre vários pontos de vista. O que para mim pode ser feio para outra pessoa pode ser lindo.
É assim que a dança deve ser vista, sem preconceito quanto à raça, forma do corpo, idade, etc.
A dança deve ser a expressão da alma feminina sempre.


photo Renato Garcia



IZ -Como lidar com esse preconceito?
ZF - A melhor forma, de acabar com o preconceito, é enfrentá-lo!  Dançando sempre e mostrando que somos capazes de realizar a dança do mesmo jeito que as magras. A dança é feita pra todas nós mulheres, sem restrições.



photo Renato Garcia



IZ - Você foi convidada a participar de um Festival em Marrocos, conte mais sobre isso?
ZF – Bem, na verdade não é só num festival e sim eu fui convidada para dançar em um restaurante lá.  A pessoa ao ver meus vídeos no Youtube me procurou no Facebook e me fez o convite. Como eu sou professora da rede pública estadual eu conversei com a responsável pelo convite para que eu possa ir em dezembro, pois estarei de férias.
Confesso que quase cai da cadeira ao receber essa proposta. Realmente fiquei lisonjeada porque é muito importante saber que seu trabalho está sendo reconhecido em países árabes. Isso faz com que eu me sinta importante de alguma forma. Daí que podemos percebe as diferenças culturais nitidamente, porque mesmo estando acima do peso para o olhar dos brasileiros, para os árabes eu não fui questionada e sim elogiada pela forma de dançar.





Imersão na Cultura Egípcia - Entrevista com Aleya no Cairo

by Isis Zahara

" Port Moresby: Well,terra firma.
Tunner: We're probably the first tourists they've had since the war.
Kit Moresby: Tunner,we're not tourists.We're travelers.
Tunner: Oh. What's the difference?
Port Moresby:A tourist is someone who thinks about going home the moment they arrive,Tunner.
Port Moresby:Whereas a traveler might not come back at all.” 

The Sheltering Sky Bernardo Bertolucci 1990



Aleya é americana, professora convidada todos os anos a lecionar em dois grandes festivais do  Egito, Nile Group Festival e Ahla wa Sahla Dance Festival produzido por Raqia Hassan. No Egito ela se apresenta em festas, hotéis 5 estrelas e você poderá assisti-la no famoso Nile Maximum onde também se apresentam estrelas como Randa Kamel.


Nos EUA ela trabalhou com a famosa Adam Basma Dance Company, teve sua própria companhia de dança, Negma Dance que ainda existe  em Los Angeles. Produziu seu próprio cd "Bellylicious Raks" pela produtora independente Record Store Baby.
Ganhou alguns prêmios importantes como Belly Dance of the Universe e foi People's Choice Award além de ter sido top finalista para a primeira audição das Belly Dance Superstars.

Aleya tem mais de 13 anos de experiência como performer e instrutora em Los Angeles, California e desde 2008 mora no Cairo, Egito.







Em 2011 o Egito sofreu uma das maiores revoluções populares da história e transformou a vida de todos que lá residem. Muitos artistas precisaram sair do país mas alguns por lá ficaram. Aleya foi uma dessas pessoas que se manteve entre a população assistindo e registrando um dos mais importantes momentos da história Egípcia.
Em seu blog você poderá encontrar mais momentos interessantes, comprar maravilhosos figurinos e ainda ver o preview de seu livro "18 Days" com maravilhosas imagens de seus dias na praça Tahrir:





IZ - Antes de se mudar  para o Egito você já tinha uma carreira consolidada nos EUA. O que a motivou largar tudo e ir para o Egito?
Aleya - Sim, nos EUA eu sou bem conhecida, principalmente em Los Angeles, California e eu estava com a agenda lotada. Eu tinha minha própria companhia dança, minhas garotas continuam dançando por lá. É difícil de acreditar que agora já se passaram 3 anos que eu larguei tudo em Los Angeles. Mas, eu larguei por muitos motivos: eu trabalhava como corretora de imóveis eu sabia que a economia estava decaindo e isto me incomodava muito. Eu também tinha comigo a sensação de já ter conquistado tudo na vida, menos ter dançado  no Oriente Médio e isso era uma coisa que eu queria muito.
 






 Eu andava decepcionada com várias coisas em minha vida e acabei participando de um seminário e acabaram me perguntando uma questão importante: "Se você tivesse todo o tempo, todo o dinheiro, energia para fazer somente o que você quer, o que você faria?" e  única coisa que eu conseguia pensar era dancar no Oriente Médio, foi quando o organizador disse pra diretamente para mim: "Isso é o que você precisa fazer!" E eu comecei a fazer esse sonho acontecer. 




IZ - Você teve um convite da Randa Kamel? O que ela falou pra você?
Aleya - Não, ela não me convidou diretamente. Isso é o que as pessoas falam, a história. Um ano antes eu me mudar, fui ao Egito estudar com ela por 4 semana, aulas particulares no studio dela. Nós tivemos uma grande empatia uma pela outra e ela chegou a comentar que eu lembrava sua irmã.  Então, ela disse: “Aleya!! Você deveria se mudar para o Cairo e dançar aqui.” a que eu refutei dizendo que eu já não era uma menina e meu tempo estava terminado. Mas, ela insistiu e me indicou exemplos de várias mulheres que estavam dançando profissionalmente no Cairo e eram mais velhas que eu e que provavelmente minha aparência confundiria as pessoas a acharem que eu realmente fosse egípcia . 
 Eu não pensei muito, estava mesmo decidida sobre o assunto. Uma amiga minha Iris Parker, que morou no Egito por alguns anos confirmou que eu deveria tentar. foi uma movimentação cósmica favorável se é que eu posso dizer isso.
 Quando o mercado de imóveis começou a cair eu me dei conta que era hora de mudar e tentar uma nova aventura. Eu estava estressada com trabalho, namorado, companhia de danca e tantas outras responsabilidades, que eu parei e pensei, "por quê não!? Eu devo pelo menos tentar!"
 Comecei então a me organizar para a grande mudança, mesmo assim perguntei para vários amigos e com exceção de minha mãe, todos estavam positivos com minha decisão.


"Você precisa respeitar pessoas da comunidade,
tratá-las com respeito e elas respeitarão você.
Primeiro de tudo, você precisa se protar de maneira respeitável.
Se você chega de madrugada parecendo uma garota de programa
isso não vai cair bem com os vizinhos."



3 – Quando você teve algum problema de adaptação? Eu li um artigo da Princess Farhana (Princess Farhana’s blog) que você ficou um pouco desanimada com o mercado egípcio.
Aleya - Bem, problemas? - rindo- São tantos os problemas aqui. Tudo funciona no tempo do Cairo que é baad bokra (after tomorrow): 5 minutos são 3 horas e amanhã talvez queira dizer nunca mais. É o lugar das promessas quebradas. Muitas pessoas prometeram-me um contrato e isso nunca aconteceu.
Eles me assistem, gostam dos meu figurinos, da minha dança mas, sorte no Cairo é estar na hora certa, no lugar certo e conhecer as pessoas certas. Você não pode apenas vir aqui e dançar como eu fazia nos EUA. É ilegal dançar e existe a polícia da dança que se te pegar sem as autorizações podem lhe causar uma tremenda dor de cabeça.
todo o processo burocrático é muito complicado, você não pode imaginar com quantas pessoas precisa agendar e são tantos papéis para trabalhar. É meio ridículo mas assim é que é.
  Além de tudo é uma comunidade muito pequena, você precisa ter cuidado com suas relações ou andar com pessoas que não são de confiança.






  
IZ - Como sua vida pessoal foi afetada com a mudança para o Egito? Você pode contar alguma coisa?
Aleya - toda minha vida eu tive namorado, mas quando eu vim para cá eu já sabia o que os egípcios pensam a respeito das dançarinas. Normalmente eles querem se casar no mesmo instantes que eles gostam de você. Mas, eu preferi manter-me solteira e por dois anos eu não tive nada, nem beijo. Logo depois da revolução eu encontrei uma pessoa e estamos juntos até hoje.
Nós que trabalhamos no Oriente Médio, quando temos um namorado árabe normalmente usamos a sigla MMID (My mohamed is different - meu Mohamed é diferente) - rindo - Nós sempre queremos acreditar que eles pensam diferente, mas na realidade são todos iguais.
É a cultura deles e nós somos educados de forma diferent, podemos apreciar, respeitar, mas acredite em mim, jamais entenderemos. Eu conversei com meu namorado que se ele estivesse confuso em apresentar-me para seus pais ou mentir para eles a meu respeito eu não me sentiria bem. Quando fui apresentada para eles eu disse a verdade, que eu sou dançarina. Eu sei o que eles pensam de mim  e eu quero quebrar esse estereótipo. Até onde eu sei não há problemas maiores em relação ao meu trabalho.
É mais fácil quando você tem um marido egípcio, ele toma conta de você e cuida de tudo a minha volta e me protege. Eu pensei que poderia fazr tudo isso sozinha como eu fazia nos EUA, mas aqui você é mais respeitada se você tem um "marido". Eu sou muito agradecida em ter encontrado alguém que confia em mim, me respeita e está sendo uma benção em minha vida.


Aleya by Denise Marino


IZ – Você acredita que depois dos escandalos com Dina os egípcios ficaram mais reservados em relação a Dança do Ventre?
Aleya - Não, eu acho que não afetou muito não. De qualquer forma ela continua famosa e é uma das mais populares dançarinas do Egito. Sim, as pessoas gostam de falar sobre ela, é uma relação de amor/ódio, mas ela utiliza isso e não dá muita atenção. Do contrário ela jamais dançaria novamente no Egito. Ela muito forte e eu a admiro por ser dançarina num país tão conservador.



Aleya with Dina


IZ - Especulando sobre a má reputação da Dança do Ventre em países do Oriente Médio. Você já sofreu alguma discriminação por ser bailarina?
Aleya - Essa questão é interessante. É verdade, Nós sofremos pela má reputação pois vivemos em um país muçulmano que cobre o corpo feminino e não é considerado lícito mostrar partes do corpo em público.
É assim que a cultura egípcia vê a dançarina, você precisa tomar consciência desta realidade. Eu procuro não usar uma saia curta ou um top quando ando nas ruas. 
Este olhar está direcionado a todas as arte e não apenas sobre a dança. Se você é cantor, ator, músico, fotógrafo, profissões apreciadas no Ocidente, são de uma certa forma discriminadas por aqui. E somos todos vistos como uma casta menor.
  A não ser que você seja muito famoso, então eles os amarão! - risadas - É uma realidade contraditória e confusa sim.
Outra coisa que eu notei, muito estranho, é de que quando eu danço com um figurino mais feachadinho, minha performance pode ser maravilhosa, mas o público não responde tanto quando estou vestindo alguma coisa "risqué"; a audiência me aplaude como se eu fosse uma estrela - rindo - Eu acho isso engraçado e eu me apresento especialmente para famílias egípcias de alta classe, hotéis cinco estrelas, resorts onde crianças estão sempre presente.






 Mas, eu nunca revelo que sou dançarina, em meu dia a dia no Cairo. As vezes eu digo que dou aulas de dança, mas nunca que me apresento. Quando eu me mudei para cá eu disse à dona do flat (uma senhora coberta que também mora na vizinhança) que eu estava estudando árabe e pretendia escrever um livro. Claro, só de você sair de casa à noite com uma mala, uma bengala e toda maquiada (sem batom!) todo mundo sabe que eu sou dançarina. 
Uma das garotas que chegou a morar comigo tinha um amigo que morava em um prédio próximo e nós não sabíamos. Ela estava no telefone conversando com ele e ele comentou - "Você sabia que tem uma dançarina em nosso bairro?" - e ela perguntou  - "Como você sabe?" - sem dizer que ela morava comigo. Ele contou que o bowab (porteiro do  predio) contou a ele e que todo mundo já sabia.
 Esse fato foi engraçado. Todo mundo sabe que eu danço e eu nunca tive problemas. Eu acredito também na conduta, em como eu me porto, não tenho homens todo o tempo ao redor da minha porta (o que não é polido em nenhum caso), eu respeito as pessoas do meu bairro e todos me respeitam.
 Eu tenho muitos amigos que são performers e eles moram em outros bairro do Cairo, embora ninguém fale diretamente, todo mundo sabe de nossas vidas e se você respeita os outros eles respeitam você.
Se você volta tarde da noite, bêbada, vestida como uma "garota de programa" não é agradável para os vizinhos. Eu vou a muitos cabarets e nightclubs e nunca retorno bêbada, sempre volto sozinha e as pessoas sabem meu caráter, consequentemente eu não tenho problemas em geral e sou muito grata por isso.
  


"Eu sou muito grata por ter vivido essa experiência 
e estar presente nesta mudança. Meu namorado acabou 
 fotografando também e nós nos vimos fotografando, 
são maravilhosas fotos da revolução. Nós capturamos uma parte
 importante da história da humanidade e 
isso é jornalismo cidadão."




IZ -Para seguir professionalmente no Egito, a bailarina precisa pagar por mentor ou agente? O que pode acontecer se você optar por trabalhar sozinha?
Aleya - Sim, você precisa ter um agente ou um mentor. Eles cuidarão de sua banda, arrumarão shows para você e checkar tudo para você. Não é obrigatório ter um agente, mas apenas como o namorado isso ajuda muito na negociação e você tem um status maior se tiver um. Assim também você se foca apenas no seu show e outros probleminhas de produção fica por conta de seu agente.



photo Elan Rafaat

IZ - Eu fiquei impressionada com suas descrições sobre a revolução Egípcia e com as fotos que você tirou. Teve uns comentários de você estaria se auto-promovendo ao publicar essas fotos no blog. É verdade?
Aleya - Eu não tentei me autopromover no meu blog, embora algumas pessoas tentaram divulgar. Eu cheguei a ler insinuações de que eu não deveria publicar essas fotos porque "não somos jornalistas e esse não é o nosso trabalho" . Mas eu estava fascinada com o que vinha acontecendo e em vez de ficar em casa com medo eu saí nas ruas.
Como americana me sintia tão longe das guerras, manifestações e revoluções. Foi um momento fascinante para mim, eu sinto falta desses momentos. Nós tinhamos um sentimento geral de "os Egípcios são os melhores e poderão vencer qualquer coisa!". Todos os homens saíam para proteger seus bairros, ficavam sentados nas potas das casas, todos eram voluntários a coordenar o tráfico, a ajudar. Nós eramos todos orgulhosos pelo Egito.
 Eu sou muito grata por ter vivido essa experiência e estar presente nesta mudança. Meu namorado acabou fotografando também e nós nos vimos fotografando, são maravilhosas fotos da revolução. Nós capturamos uma parte importante da história da humanidade e isso é jornalismo cidadão. Eu tive sorte de parecer egípcia e desde que eu não precisasse falar muito, eu pude andar pela praça Tahrir sem ninguém suspeitar.
 Se eles percebessem que eu era estrangeira, segurando uma camera nas mãos, poderia ser mais complicado sim.






IZ – Você estará presente no próximo Ahlan Wa Sahlan Festival in Egypt. Como é estar lecionando no mais importante festival de Dança Oriental do mundo? Você pode antecipar alguma coisa especial para esse ano?
Aleya - No ano passado Raqia Hassan pediu para eu lecionar no festival deste ano 2012 e eu estou em seu novo DVD interpretando duas de suas coreografias e auxiliando -a na parte didática. Ahla wa Sahlan é o mais antigo e maior de todos os festivais do Egito. Todas as estrelas do Cairo são convidadas e muitas bailarinas estrangeiras participam. Ela está trabalhando sim em uma surpresa especial, mas eu não posso dizer o que é!
Raqia Hassan é maravilhosa, professora e coreográfa, quem nunca teve a chance de aprender com ela eu recomendo. 
Como não sabemos o que acontecerá com a Dança por aqui nos próximos anos eu recomendaria as pessoas virem agora.
 





IZ - O que você pensa sobre o futuro da Dança Oriental nos próximos anos?
Aleya - Nós não sabemos o que esperar do futuro. Para os conservadores muçulmanos a Dança Oriental não é algo interessante, artístico ou bom para a alma. Os figurinos incomodam e vão totalmente contra os preceitos religiosos. Eu espero que a Dança Oriental não seja banida do Egito, mas isso pode sim acontecer.
 

IZ - O que você pensa o seu futuro como uma estrela no Egito?
Aleya - Bem, para ser uma estrela no Egito, muitos anos de trabalho e trabalho duro. Meu empresário disse já para mim - "Aleya, você deveria ter vindo 10 anos atrás!" - A dez anos atrás isso seria possível, mas agora, depois da revolução, tudo caminha muito devagar e eu não tenho muita esperança. Eu estou feliz de trabalhar no Cairo, ter uma audiência que me aprecia, bons agentes e gerentes que apreciam meu trabalho. Estou feliz em realizar meu sonho. Nós nunca sabemos o reserva o futuro, mas uma coisa é certa, eu cumpri meu sonho e estou feliz por isso. Eu amo o Cairo, sempre. Tem uma coisa mística, mágica com o Egito e você precisa vir e viver sua experiência . Eu desejo todas as bailarinas tenham essa oportunidade de dançar aqui, nem que seja uma vez na vida.
   



Notas

Dina teve u caso secreto com Hossam Abol Fotouh. Alguns vídeos que ele gravou tendo relações sexuais com a estrela foram publicadas na internet causando um escandalo que abalou a carreira de Dina e toda a conservadora sociedade egipcia. Houve rumores de que ela pararia de dancar, mas não, Dina continua se apresentando e fazendo sucesso. Em 2011 ela publicou sua biografia Huriati Fi Al Raqa (Minha liberdade dançando)

Ética e respeito pela cultura Egípcia - Entrevista com Mohamed Shahin


Mohamed Shahin performing Dabkeh - picture by Gabriel Monserrat


by Isis Zahara

"There is one thing one has to have: either a soul that is cheerful by nature,
 or a soul made cheerful by work, love, art, and knowledge."
(Friedrich Nietzsche) 
 "In Egypt, it is sometimes said 
you could take away the pyramids,
you could take away the Nile, 
but you could never take away the Belly Dance."
Cairo Unveiled, National Geographic 1992


Mohamed Shahin é um dos mais inspiradores mestres de Dança Oriental do mundo. Além de maravilhosas performances, coreogrfias, ele tem se destacado por ser um grande instrutor e conhecedor  da Arte da Dança Oriental e Folklore Árabe. Se você quiser aprender um pouco mais com ele veja sua coleção de DVDs diretamente no site: mohamedshahin.net


 Presente anualmente no Festival Ahlan Wa Sahlan, Mohamed Shahin tem como especilaidade a Tannoura (Dança Dervish Egipcia), Said Tahtib (danca com bastao) e Dabkeh (folklore arabe libanes)
Nesta conversa Mohamed Shahin fala sobre códigos de ética e princípios de atuação profissional dos artistas no Egito atual. A importância em respeitar a cultura Egípcia e outros valores que toda bailarina deve ter ao crescer em sua carreira profissional.


IZ- Atualmente você é um dos mais importantes  e influentes figuras da danca Egípcia. Como você começou sua carreira?
MS - Eu comecei a me interessar em 1990 ainda como hobby em um grupo de dança folclórica egípcia. Eu dancei e estudei neste Sport Club por 3 anos.  Aos 18 anos decidi estudar profissionalmente no conhecido Balloon Theater onde as grandes companhias e orquestras treinavam e se apresentavam, entre elas a: "Reda Troupe" e " The National Troupe". Eu comecei estudando para a National Troupe, mas depois de 2 anos recebi um convite para participar da maior companhia do Egito, nesta época coordenada pelo grande cantor, ator e apresentador de TV: Samir Sabry.
 A partir deste momento eu fui reconhecido como um artista profissional. Mas, eu também estudei ballet e dança moderna com famoso professores do Egito com quem continuo  atuando  até hoje.








 Em 2002 eu recebi um convite para a Coréa do Sul e por dois meses eu me representei o folclore Egípcio no Oriente. Durante este período uma professora de Dança Oriental solicitou que eu ensinasse para ela e suas alunas o que eu vinha me apresentando. Eu meu senti muito bem minha tradição para não egípcios.Eu adorei a idéia de ser professor e quando voltei ao Egito estava decidido a estudar também a dança Oriental.


Em 2004 eu fui convidado a lecionar workshops no Brasil (Casa de Chá Khan el Khalili). Rapidamente, depois deste evento eu comecei a ser reconhecido mundialmente como instrutor de folklore e dança oriental.
   








IZ - Quem mais o influenciou em sua carreira?
MS - Como bailarino Egícpcio é claro que a maior influência vem de Mahmoud Reda. Desde muito jovem eu assistia ao seus filmes e almejava ser como ele.
Ele é a mais importante figura da dança Egícpia e todos o bailarinos até hoje se inspiram nele. Mahmoud Reda tem influenciado gerações de bailarinos e bailarinas no Egito e mundo. Eu o admiro muito como interprete, professor e por representar o meu país.


"Alguns teóricos Europeus ou Americanos insistem 
que a dança egípcia teve muita imfluência ocidental
e não vice-versa. Mas se essas pessoas lerem a história
real eles ficarão surpresos, porque a cultura Egípcia influenciou muito mais 
a arte ocidental. Eu posso indicar muitos exemplos
 do passado até os tempos atuais."



 Sem dúvida, eu sou muito influenciado pela Raqia Hassan. Ela é  mais talentosa professora de Dança Oriental que eu conheço. Eu a assisto em sala de aula e me inspiro com ela. Eu tenho aprendido muito com Raqia, antigas e jovens bailarinas egípcias também. Eu amo assistir todas as gerações de bailarinas e absorver tudo que elas podem me oferecer.
Em relação a presença de palco e como trabalhar com corpo de baile eu fui muito imfluenciado pelo professor, Dr. Atef Awad. Ele tem uma companhia de ballet e dança moderna no Egito onde eu trabalhei por 10 anos.
 
IZ - Até se tornar um performer, instructor e coreógrafo famoso mundialmente, você teve ou tem algum obstáculo no meio do percurso?
MS - Obrigado Deus, eu nunca tive nenhum problema sério em minha carreira desde que comecei. Quando tudo começou eu nunca imaginei que estaria agora me apresentando profissionalmente, mas sempre tenho dançado com todo meu amor pela dança.
 A dança por si é muito compensadora, é ter um tempo agradével por si e expressar o que eu sinto, é muito bom. E é definitivamente uma das razões que me fazem amar a dança e dançar. Eu trabalhei duro todos esses anos construindo minha carreira, eu sempre mantive os problemas distantes. Claro, sempre tem um problema ou outro, mas nada pode ser superior e gratificante em relação o que eu amo.

"É muito difícil se tornar uma profissional conhecida em todo o mundo.
A pessoa precisa trabalhar duro, tempo, anos de experência.
Você deve ter talento, técnica, precisa ser atento e
ter uma boa personalidade. Respeito com
que está ao redor de você é fundamental."



IZ - Badia Masabni (http://www.belly-dance.org/badia-masabni.html) a deusa mãe da dança Oriental, foi pioneira em criar um novo estilo sobre a dança baladi. Ela se inspirou em asrtistas Ocidentais e em Hollywood. Se a dança Oriental (Raks al Sharq) foi estruturada com bases importadas o que você considera genuinamente egípcio dentro da Dança Oriental?
MS - Se você ler a fundo na história, verá que Badia Masabni não era uma grande dançarina, mas uma boa administradora e mulher de negócios. De fato ela tentou cantar, atuar, mas também sem sucesso. Ela não ensinava a dançar, mas suas dançarinas eram muito competentes e talentosas, até hoje lembramos delas: Tahia Karioka, Samia Gamal, Beba Azzadin etc. Sem dúvida alguma a inspiração maior veio de Hollywood que influenciou também o cinema egípcio, também a exploração do espaço ensinada pelo coreografo inglês Mr. Dickson.
 Mas os movimentos de Dança do Ventre vêm da dança egípcia folclórica, é genuino e autientico, principalmente a individualidade na interpretação e a liberdade de se desenvolver um estilo pessoal. Alguns teóricos Europeus ou Americanos insistem que a dança egípcia teve muita imfluência ocidental e não vice-versa. Mas se essas pessoas lerem a história real eles ficarão surpresos, porque a cultura Egípcia influenciou muito mais 
a arte ocidental. Eu posso indicar muitos exemplos do passado até os tempos atuais.Eu prefiro que as pessoas estudassem mais a fundo antes de estabelecer uma afirmativa.
(essa resposta teve auxílio e colaboração de Dr. Mo Geddawi).








IZ - Atualmente, a econômia egípcia depende do investimento estrangeiro. Podemos dizer o mesmo da Arte? Você acredita que a Dança Oriental está passando por uma transformação positiva; está segura e preservada ou pode estar morrendo diante de tantas fusões?
MS - O Egito tem sido o destino de muitos turistas e viajantes. Claro,que o turismo é o suporte da  nossa arte e muitos visitantes vêm para nos assistir, não só do Ocidente, mas de muitos países árabes como o Golfo Pérsico. Adicionando a isso temos sim uma multidão de artistas profissionais vindo aprender e a trabalhar no Egito, mas o nosso suporte, os professores de formação ainda são egípicios. A internet vêm auxiliando a mudar o nosso país, questões políticas que sem a comunicação das redes sociais não seria possível. O povo Egípcio ama se divertir, dançar e ouvir uma boa música, eu penso que por isso a dança pode se transformar, e para melhor. Cada vez mais as pessoas estão se apaixonando pela Dança Egípcia em torno do mundo, nunca na história esta tradição cresceu tanto e tão rápido.









Minha opinião pessoal é de que não está morrendo e nunca morrerá. Ela está aí desde os antigos e somos uma cultura que valoriza a dança. Os egípcios gostam de assistir um artista talentoso e todos dançam de uma certa forma, amadoramente em suas casas. 
Crianças a partir dos 3 anos já comçam a escutar  as músicas o que move todos a dançar de alguma forma, pois está no sangue. Eu penso que o que aconteceu agora, na parte política vai se resolver em pouco tempo.
 Claro, a situação da Dança Oriental tem mudado com os problemas políticos atuais. Quando tudo começou um grande número de profissionais estrangeiros, incluindo dançarinas tiveram que parar ou largar o país as pressas. Agora, tudo voltou ao normal novamente, mas não da mesma forma que antes. Os egípcios estão cheios de esperança para um futuro melhor na política e na economia. Quando isso acontecer será também bom para as artes: musica, teatro e a dança.





IZ - Estou aqui especulando em cima do seu artigo "Ame isso ou Abandone!" - Existem muitas dancarinas que almejam fama no Egito. Mas, isso não quer dizer que  irá acontecer da noite para o dia. As vezes o oposto pode acontecer, juntamente com uma série de frustrações. Neste artigo você descreve claramente:


"Todos nós sabemos que todos os países têm problemas e defeitos. Nenhum país é perfeito. Se alguém tomar conhecimento de um lugar perfeito, por favor me avise talvez eu me mude para lá. O Egito é um país onde as pessoas estão lutando para pagar as contas. Nós acabamos de sair de uma ditadura e estamos sofrendo uma das maiores transições de nossa história para construirmos um país melhor a todos. Para quê precisamos de alguém que nos deprecie de forma arrogante e publica isso na internet?"


Conte-nos o por quê deste artigo e o que move pessoas a tentar convencer uma grande audiência sobre os problemas egípcios.
MS - Este rtigo eu escrevi diratamente a uma pessoa e em uma situação específica. Uma bailarina estangeira começou a desqualificar o Egito em seu blog. Neste momento nós estávamos em plena revolução, foi um dos momentos mais difíceis para todos, caos, indecisões, confusão. O que nós menos merecíamos neste momento era alguém falando mal, e muito mal sobre nossa cultura. Nós precisávamos de suporte e não de pedras!
Esta dançarina estrangeira está trabalhando no Egito, fazendo sua carreira lá , o que é um dos maiores sonhos de grande parte das bailarinas de todo o mundo. Em vez de nos respeitar veja uma nota que ela escreveu na internet:


"Desde que eu retornei ao Egito, um meses atrás, eu não tinha me notificado como o Cairo tem se tornado sujo. Pilhas e pilhas de lixo em todos os lugares e as ruas pavimentadas com esterco de asno. Os homens, obviamente urinando pelas ruas (o que é muito comum). Há burros, cavalos, camelos, cabras, ovelhas, cães vadios, todos competindo no mesmo tráfico."

Isso é a única coisa que você pode descrever do Egito pós revolução? É assim que você quer mostrar sua apreciação pela nossa cultura? É assim que você respeita a sua segunda casa que está ofercendo a você o que você não encontrou em seu país?


Sobre a categoria profissional ela escreve: 


"Não tenho muito o que dizer aqui: só há uma maneira para os bailarinos estrangeiros conseguirem dançar em locais famosos como a Nilo Maximun. Ficar intimamente com alguém conhecido no meio profissional."

"Outro problema é
que os bailarinos de todo o mundo automaticamente pensam: se alguém está dançando em locais de alto perfil, como a Nilo Maximum ou Semiramis, então é porque esses profissionais são bons. Isso nem sempre é o caso. Aqui no Cairo, a sua capacidade de dança conta apenas 5% na equação. Mas a o relacionamento da dançarina com o homem certo, seja ele quem for, isso realmente é o que conta." (Extraído do bhuz.com datado 15 de novembro de 2010)

 
Isso definitivamente me insulta como Egípcio e está insultando quem trabalha no Nile Maximun. Está insultando todas as dançarinas estrangeiras que trabalharam no Egito.  Não apenas isso, mas está insultando também as casas, clubes e outros estabelecimentos que contratam profissionais de dança. Nem todas as profissionais são iguais e temos que considerar que pode ser que isso tenha acontecido com alguém. Algumas mulheres querem ficar famosas rapidamente e de forma mais fácil, mas existem tantas profissionais sérias que estão trabalhando duro no Cairo, e esse não é definitivamente o caminho mais rápido. (nota: Para se tornar uma dançarina oficial em Cruseiros como Semiramis, Nile Maximum, Pharaoh, as bailarinas passam por uma audição)
No mesmo tempo, essa mesma pessoa escreveu:

"Conhecer o gerente mais intimamente. Eu acredito você entendeu o que eu quero dizer aqui. Nós sempre ouvimos sobre dançarinas que ficam "amigas" dos gerentes e donos de restaurantes . Isso é USADO para cortar caminho e conseguir um contrato, mas, nem sempre acontece nos dias atuais. Tem tanta competição que "ser amiguinha" do gerente não garante mais um contrato no cruzeiro ou no hotel. Epecialmente se você se depara com fortes candidatas. Mas atualmente os gerentes tiram vantagem das bailarinas estrangeiras prometendo o mundo para elas em troca de uma "amizade". Mas, a promessa nunca se cumpre e no final a dançarina sempre sai perdendo. No fundo o melhor jeito é manter o respeito e amor próprio pra não ser presa de abutres mal intencionados."

Quando dançarinas de todo o mundo lêem algo assim, pensarão que o Cairo é o último lugar para se tentar a sorte. Eu acredito que isso seja a intenção de quem escreveu este tipo de comentário. Dispersar novas profissionais porque novas e competentes bailarinas significam menos trabalho e maior concorrência.
Nos últimos anos nós temos tantas bailarinas estrangeiras que são realmente talentosas, construindo uma carreira sólida como instrutoras e sem falar mal da cultura nos blogs ou pelo facebook. Muitas ainda moram no Egito como Soraia Zaied (Brasil), Asmahan (Argentina), Samasen (Suécia), Katya (Russia) , Diana Tarkhan (França), Leyla Farid (Estados Unidos), Joana (Portugal), tantas outras. Eu pessoalmente nunca ouvi nenhuma história depreciativa da partes delas. Elas são tão agradecidas e felizes com a dança no Egito. Na minha opinião todos deveriam escrever sobe suas histórias no Egito, mas escreva depois de viver e trabalhar por anos por aqui. Não deprecie se você está dançando por alguns meses em um lugar desconhecido ou sem categoria.
 


Gala Show in Khansin festival 2011- photo by Andrea Sabrina G. Valastro


IZ -  Além de mostrar o talento, o que mais as bailarinas acabam investindo para se auto promover? Você pode indicar um exemplo dessas histórias?
MS -Para ser conhecida a dançarina precisa trabalhar muito não só no Egito, mas em qualquer lugar do mundo. Isso significa muito muitos anos de experiência.  Talento e técnica são importantes mas boas personalidade e boa conduta são fundamentais. Atualmente é muito fácil escrever no facebook e se promover na internet, mas você precisa estar ativo no mundo da dança, não apenas postando fotos. Sobre blog, você paga pouco ou nada para ter um blog e você pode escrever tudo o que quiser nele. Se você escreve bem em inglês poderá escrever muitas besteiras sobre o Egito e ninguém poderá corrigi-la.







Mas precisamos ser muito cuidadosos com o quem nós acreditamos na internet . Se você têm uma curta experência com a cultura, um limitado conhecimento sobre ela, não escreva asneiras! Quem conhece acaba dando risada ao ler, mas quem está iniciando poderea acreditar que essa é a realidade. E sempre teremos em todas as profissões: pessoas que fazem de tudo para ter atenção e crescer fácil nos negócios - escrever histórias ruins e dormir com quem elas acreditam que irá oferecer uma oportunidade melhor.


Tahtib - by Gabriel Monserrat




IZ - Neste contexto, onde estão as profisisonais? O que elas estão fazendo?
MS - Existem muitas bailarinas talentosas no Egito, mas elas não estão perdendo tempo, escrevendo coisas ruins sobre o Egito. Estão concentradas em suas carreiras.


 (...)"E sempre teremos em todas as profissões: 
pessoas que fazem de tudo para ter atenção e crescer fácil nos negócios - 
escrever histórias ruins e dormir com quem elas
 acreditam que irá oferecer uma oportunidade melhor." (...)



IZ - Quem você considera uma estrela da dança egípcia e por quê?
MS - Se estamos falando em estrelas Egípcias eu preciso esclarecer o que a palavra "Estrela" significa para mim. Estrela é aquela pessoa que todo mundo conhece, que já apareceu em TV ou nos filmes etc.. Se ela caminha nas ruas, todo mundo a reconhece, do contrário não é  Estrela.
 No Egito temos tantas estrelas que ainda estão vivas e outras já se foram. Vamos falar de quem está por aqui: Sohair Zaki, Nagwa Fouad, Fifi Abdou, Mona el Said, Dina, Mahmoud Reda, Farida Fahmy...esses nomes são reconhecidos como "Estrelas" porque se eles andarem pelas ruas todos no Egito poderão reconhece-los.
Por outro lado nós temos os mais famoso instrutores e bailarinos também reconhecidos como Estrelas, pois suas criações e estilos são repetidos e influenciam a todos até hoje: Raqia Hassan, Randa Kamel, Yousry Sharif, Tito, Soraia Zaied, Aida nour, Dr. Mo Geddawi, Dr. Momo Kadous e outros muitos que eu não conseguirei mencionar por aqui...



IZ - Quem você considera uma eterna lenda e por quê?
MS - Toda bailarina que conseguiu criar uma marca na dança torna-se uma lenda. Por exemplo, Sohair Zaki estamos ensinando ainda os seus movimentos, Tahia Karioka estamos ainda estudando as suas mãos , Fifi Abou todo mundo assiste e se inspira em seu estilo, Nagwa Fouad, Naima Aakif, até hoje as estamos assistindo e continuaremos a estuda-las e nos influenciarmos por elas. Eu penso que sem elas a dança seria completamente diferente.




photo by Alex Ismagilov


IZ - O que você pensa sobre o futuro da Dança Oriental Egípcia nos futuros anos?
MS - Eu sei que atualmente estamos vivendo um período muito difícil. Mas eu não acredito que acabará. A dança Oriental tem sido o ponto mais importante durente as festas de casamento e festas populares eu não consigo ver o fim por conta de um pequeno grupo de religiosos mais extremistas. Egito é um país muito diverso, nós temos cristão, muçulmanos moderados, muçulmanos mais radicais e outras crenças e o governo não poderá simplesmente banir a dança em nome de um pequeno grupo.
O Egito é um país que tem a dança como principal elemento artístico, amamos dançar em nossas casa, festas e outras ocasiões possíveis. Não acredito que o governo será capaz de censurar a população do seu entretenimento favorito.



notes:

Mahmoud Reda -... É "o pai da dança oriental no Egito" Ele é um pioneiro da dança Teatro no Egito coreógrafo Solista, e diretor de centenas de produções Muitos de hoje famosas dançarinas egípcias começaram suas carreiras no Reda Mahmoud Ensemble como folclore dançarinos em Grupo Reda.
 Dr. Mo Geddawi - é co-fundador da "Reda Troupe". Como solista e coreógrafo, Mo trabalhou com Mahmoud Reda em novos conceitos e estilos que levou a "Reda Troupe" a sua posição internacionalmente conhecida. Ele tem uma extensa experiência também nas danças de salão e ballet, bem como danças  latino-americanas. Ele criou coreografias para dançarinos solo, longas-metragens e programas de TV. Como professor ele é encorajador, charmoso, despretensioso e paciente com todos os níveis de alunos e suas coreografias têm esse estilo polido chamado: estilo egípcio. 

Momo Kadous - é internacionalmente reconhecido como um dos mestres no mundo da dança do ventre hoje. Coreógrafo, performer e director. Entre muitas realizações incluem a criação e direção de vários espetáculos fantásticos, como "Zaro" em 1997, "7000 anos no Egito", em 2000, e "Al Mashrabiya" em 2002.  Atualmente, Momo Kadous é convidado especial em workshops e festivais de todo o mundo. 

Raqia Hassan - é a professora mais conhecida internacionalmente como coreógrafa de dança oriental egípcia. Ela tem seu estilo próprio de ensinar conhecido por "técnica de Raqia" apresentado em seus vídeos e em oficinas de dança de todo o mundo. Ela é o produtora do "Ahlan wa Sahlan" festival anual de dança no Cairo, Egito. E está por trás de todo dançarino bem sucedido. Madame Raqia treinou Azza Sharif, Mona el Said, Nani, Nelly Fouad, Dina, Amani, Sorraya, Dandash, Randa Kamal, para não mencionar inúmeros outros dançarinos no Egito e em todo o mundo. 

Samir Sabry - Ele é conhecido como  "O embaixador da arte árabe" por representar o Egito  noo mundo em diversos festivais musicais. Sob os auspícios do Ministério do Turismo e Cultura ele produziu 16 grandes filmes como "Ahlan Ya Capitão, Tahat Gaheem Maa Al ', Salakhana Al, Al Noshaterokom Afrah, Demooa' Sahebat Al Galala, Mashbouha Elakat, Tahat Gahiem Al Ard" onde ganhou muitos prêmios. Samir Sabry também atua em outros filmes no cinema. Samir ministra uma orquestra composta com 45 músicos e dançarinos. Além de administrar a Associação de Arte Alexandria com 60 membros, nascidos ou graduado em Alexandria. A Alexandria festival de música mediterrânica, que teve lugar em al Montazah Palace (25-30 junho 2003) com convidados especiais de todo o Mediterrâneo.

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