3/4 Shimmy - adequando o movimento à célula ritmica (segredinhos de professora)

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Entre tantos e-mails que recebi, vários solicitaram que eu explicasse melhor sobre como adequar o movimento ao tempo ou à célula rítmica.
Antes, uma liçào de música para entendermos melhor o que é  que estamos estudando:


3/4 na Música:

Métrica - é a divisão de uma linha musical em compassos. A música é organizada em compassos e cada batida do compasso pode ser dividida em 2, 3 ou 4 partes definindo o ritmo 2/4, 3/4 ou 4/4 . No nosso caso (para este shimmy) a métrica está dividida em um compasso de 3/4 (1,2,3/1,2,3/1,2,3).

Ritmo - é a frequência de repetição das batidas no tempo, a pulsação pura na música, você pode ouvi-lo ou simplesmente senti-lo. O ritmo está muito próximo à definção da métrica.

Tempo - é a pulsação primordial da música. O tempo na música se divide em valores iguais: os compassos. Se nossa música leva 3/4 compassos, em cada compasso você identificará 3 batidas (em uma média de 3 segundos).

Para o nosso caso, o 3/4:
As notas estão subdivididas em trê partes iguais dentro de um quarto, ou seja, temos 3 batidas em uma célula. 3 batidas para 1/4.




Ficou complicado? 
Vamos pensar isso no movimento. Ao executar o Shimmy os acentos verticais do quadril funcionam como (escolhendo um dos lados, direita ou esquerda):
Baixo - Cima - Baixo

Ok, Como fazer no tempo certo? Como saber se estou na música ou fora dela? 

Vai uma dica, muito especial: todo mundo conhece ou deveria conhecer a valsa:
"O Danúbio Azul" de  Johan Strauss II... Pois é perfeitamente um 3/4 do início ao fim, não há como errar, o seu quadril deverá encaixar-se nas frases. 

Se você descobrir que dá para fazer uma pausinha entre uma sequência e outra, perfeito! 

Lembre-se, você não irá dançar o Danúbio Azul, a composição serve de base para exercício, por ser um pouco mais pausado do que o andamento das músicas árabes.

A valsa oferece a oportunidade de você entrar no tempo da música sem arrancar os cabelos tentando encontrar o primeiro Dum e os teks teks exatos para o quadril.

Pois é, não entre naquela de que o movimento é só:  Baixo - Shimmy , Baixo - Shimmy, porque não é! Os ilíacos devem executar linhas verticais baixo-cima-baixo no tempo.


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Quando o Ballet pode ser prejudicial na Dança do Ventre parte 02

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A técnica do Ballet Clássico visto como proposta fisioterapeutica, assim como a do Yoga, do Pilates, é um importante aliado ao corpo que busca melhorias (dores na coluna, má postura, problemas de articulações) 

A utilização da técnica do Ballet para fortalecimento de coxas, glúteos e abdômen é essencial (assim como o yoga, pilates, Tai Chi - você pode escolher) para esses músculos e articulações responsáveis pela  execução dos shimmies. 

Quanto mais suas coxas estiverem fortes melhor serão as suas vibrações!

Mas, se levarmos o Ballet Clássico ao pé da letra, assim como qualquer técnica mal estudada e aplicada aos ventos e a Deus dará (como muita gente faz por aí) ...e isso vale para todas as práticas yoga, pilates... aí o resultado não pode ser pior...


Tudo que parte de um estudo periférico não pode ter resultado positivo, alguém vai sair prejudicado no final. 


Infelizmente, quem acaba sofrendo,  são as alunas que acreditam e confiam na profissional que está aplicando sem conhecimento do assunto. 

Aquela sensação de que é impossível aprender as lições não é o caminho certo, nem o mais didático! 

Professora que gosta de mostrar que é impossível chegar aos pés dela é porque tem medo da concorrência futura. 

Insanidades do Ego, enfim! Melhor ir ao psicólogo antes de começar a dar aulas...


A técnica do Ballet Clássico adaptada ao treinamento, ao ensino da Dança do Ventre não deve, de forma alguma prejudicar o seu corpo! 


Qualquer lesão na coluna, nos joelhos é sinal de que algo está errado! Atenção!

Se existem linhas que propõe o Ballet CLássico como técnica e estética, ou seja, ficará visível a todos movimentos de Giselle, Silfide, enfim piruetas e sapatilha de ponta etc... é uma questão de inserir a palavrinha mágica: FUSION

E ficará ao critério do aluno em escolher as opções de estilos, assim como existe fusão com tango, com flamenco, com hip hop etc...


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Ballet Clássico na Dança do Ventre - ter ou não ter eis a questão! parte01

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Após uma acalorada discussão entre tantas bailarinas no facebook de Lulu Sabongi, resolvi escrever este post, pois percebi que em grande parte o Brasil carece de informações, digamos assim...de base mesmo, no estudo da dança. 

Acho importante o esclarecimento de algumas etapas da história e do que é a Dança do Ventre, pois a qualquer arte ou ciência é fundamental o estudo das origens e das teorias anteriores para se criar uma teoria nova ou levantar qualquer bandeira!

Primeiramente quero destacar que o artigo não faz apologia ao Ballet Clássico e nem desqualifica a utilização do mesmo, mas ressalta pontos históricos e determinadas definições que mostram a interligação entre Ocidente e Oriente desde de muito antes da definição Raks al Sharq surgir no Egito no início do século XX.

As Origens do Ballet

Primeiro, o Ballet ou Balleto surgiu na Itália em meados do século XV, quando a Europa mantinha um contato intenso com o Oriente, principalmente com os mercadores árabes.

Como todos deveriam saber o Renascimento, período em as artes e a cultura retornaram a fluir pelos países europeus devia-se ao intercâmbio com as culturas do Oriente.

Nesta época o Balleto continha posturas mais alongadas de braços, cabeça e pequenos deslocamentos no espaço. A dança clássica ou o Ballet de Corte propunha a elegância das danças de corte da Pérsia (Atual Iran).

Uma das principais posições de apoio na técnica do Ballet, o Arabesque tem origem árabe assim como o próprio termo que o define.

A Origem da Raks al Sharq egípcia

Como pouca gente sabe a Raks Feminina ou Dança do Ventre, na forma como conhecemos atualmente foi desenvolvida a partir da compilação de vários passos e de diversas danças do Egito.

Ao fundar o Cassino Opera, Badia Massabni solicitou a criação de um estilo musical apropriado para a dança que ela vinham desenvolvendo. Para isso ela juntou musicos eruditos com músicos populares, instrumentos de orquestra ocidental com instrumentos de percussão como o derback. 
Taheya Carioca

Também na dança ela selecionou passos comuns e contratou bailarinas e coreógrafas russas para ensinar as futuras estrelas.

Essa dança feminina que surgia no século XX, a partir de Badia Massabni ganhou o nome de Raks el Sharq e foi estruturada dentro da técnica do Ballet Clássico. A Raks al Sharq veio ao mundo Ocidental e ganhou o nome de, Belly Dance, Oriental Dance, Danse du Ventre, Buikdans, Bauch Thanz ou Dança do Ventre.

Anos mais tarde, por volta da década de 60 o coreógrafo egípcio Mahmoud Reda desenvolveu um trabalho de criação em cima das manifestações populares do Egito, as Shaábi. Toda a base de estudo técnico de Mahmoud Reda estava no Ballet Clássico, assim as danças baladi surgiram dentro do contexto do Ballet Clássico.

A partir de Mahmoud Reda o Egito esteve mais  aberto para as danças de raíz ou Baladi. 

O que podemos chamar de estilo moderno ou Shaábi moderno são versões contemporâneas das danças populares e todos os grandes coreógrafos que seguem essa linha têm formação na Troupe de Reda, ou seja, iniciação na estrutura do clássico. 

A Dança do Ventre Egípcia se caracteriza e diferencia-se das demais (Romany, Libanesa etc..) pela sua extrema elegância, pelas posturas de braços e pela meia ponta alta e mesmo o estilo moderno ou popular Shaábi têm sua elegância em destaque perante outros estilos como o turco e o libanês.

Portanto, se você decidiu dançar o estilo egípcio é imprescindível o estudo de base do Ballet Clássico, pois foi nele que a Dança do Ventre (como a conhecemos atualmente) surgiu. 



Existem outras danças no Egito em que a técnica da Dança do Ventre integra em seu repertório, como as danças ghawazee, nuba...mas a partir do momento que a técnica é codificada e inserida no contexto de um espetáculo ela sofre uma alteração de caráter. 

O caráter do espetáculo exige linhas claras e objetivas, também precisão em cada movimento.

A própria Randa Kamel diz isso, num comentário sobre um passo, ela diz assim - esse movimento é do folclore, mas a partir do momento em que eu introduzo na dança oriental ele ganha braços, eu acrescento meia ponta alta... - 

Dança do Ventre Turca

Na Turquia o Ballet Clássico não teve tanta influência como no Egito, embora as dinastias dos haréms simplesmente adoravam um espetáculo de Dança Clássica européia. 




Mas a base do que denominamos Dança do Ventre Turca vem da cultura Romany e é carregada de pulinhos, cambrets e movimentos no chão. 

A Dança do Ventre Turca foi o primeiro estilo a chegar ao Ocidente e pode ser considerada a mãe do Estilo Cabaret Americano. Neste caso as bailarinas americanas começaram a estudar as posições de yoga como auxílio à musculatura das costas e para a própria coluna em si. O yoga foi integrado à Dança do Ventre por volta dos anos 70.


Dança do Ventre Libanesa 

O estilo libanês, embora atualmente inlfuenciado pelo egípcio por ser o mais famoso dos estilos, também tem uma origem distanciada do Ballet Clássico e uma ligação maior com as manifestações familiares. 


Uma preocupação maior em compartilhar a Dança entre os entes queridos do que em uma forma estética. (Isso no passado, pois hoje em dia o estilo egípcio é o dominante em todos os países.)

A dança era passada de mãe para filha e compartilhada nos casamentos, aniversários e tem uma ligação forte com o folclore libanês.





Atualmente a Dança do Ventre é uma técnica que transcende as fronteiras culturais do mundo árabe, tem suas diversas linhagens no Ocidente e se propõe cada vez mais como uma técnica a favor do bem estar físico, da saúde e da beleza estética seja ela qual for independente de um padrão.

Nesta era em que vivemos temos a oportunidade de estudar a técnica desta arte dentro do ponto de vista de uma ciência, com ferramentas indispensáveis ao corpo. 

O Ballet Clássico como ferramenta fisioterapêutica

O primeiro processo fundamental em uma terapia corporal é o conhecimento do próprio corpo, das limitações, das cadeias musculares etc... 
A técnica do ballet é uma terapia que auxilia todo corpo a adquirir condições físicas adequadas para as correções de problemas de respiração, hérnia, constipação, doenças cardiovasculares etc... e como consequencia também auxilia na emolduração do corpo e das linhas que este mesmo corpo reproduz no espaço enquanto dança. 

conhecer-se a si mesmo através do movimento


São derivados da técnica do Ballet  as seguintes linhas terapêuticas:

Alexander - ênfase na respiração e no eixo do movimento.
Feldenkrais - ênfase na sensação do movimento.
Pilates - Trabalho de desenvolvimento da força dos músculos e articulações.

Para Rudolf Laban - um dos maiores teóricos de Dança do século XX - a Dança integra terapias corporais a uma filosofia de vida, mas, não se forma bailarino sem esforço algum, a tentativa de encontrar uma forma mais cômoda para a dor não nos traz a saúde. 

O corpo enquanto  ferramente de trabalho é movido pelo esforço, pelo desafio de tornar-se.



Isso não significa colocar sapatilha de ponta ou levar a técnica estereotipada do Ballet Clássico ao pé da letra, mas renegá-lo como uma agressão ao corpo é um caminho sem fundamento, é desperdiçar uma ferramenta útil e necessária á saúde.


Isis Zahara
)O(












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O dilema dos Shimmies: o que é 3/4 shimmy? tipos e variações

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Acredito que uma das grandes discussões nos estudos da Dança do Ventre tecnica e nomeclatura é o shimmy 3/4!


Primeiro, porque esse movimento tem vários nomes, começando pelo Egito em que é chamado de Hagalla step (um deles), na Inglaterra como Egyptian Walk e nos Estados Unidos como 3/4 Shimmy. 

E por que 3/4? 

Porque você executará 3 acentos verticais em 1/4 da celula rítmica. 
Imagine que você está estudando o ritmo Maqsum 4/4  (maqsom, maqsoum, maksum):


Em cada um 1/4 da celula os quadris reproduzem 1-2-3 em acentos verticais
3/4 Egípcio
O acento é provocado pela projeção do ilíaco para baixo, na direção do joelho e que o movimento é simultâneo como o outro lado, porêm em oposição - quando um ossinho aponta para baixo o outro sobe com intenção para dentro.
O trabalho aqui deve-se à musculatora das coxas e articulação coxo-femural que se expande e retrai em sentido fora/baixo e dentro/cima.Os joelhos atuam como coadjuvantes, no folclore é executado com a planta dos pés no chão e na Dança do Ventre em meia ponta alta.



Mas o 3/4 que falamos acima é o egípcio, pertencente à dança Hagalla, também conhecido pelo nome da grande mestra Suhair Zaki. 




3/4 nos EUA
Nos EUA  o 3/4 Shimmy é conhecido por uma variação ocidental da técnica egípcia. No 1-2-3 do movimento em duas vezes o cento é vertical, mas no 3 a acentuação é horizontal e para fora (quase como uma batida lateral, só não ee porque mantém-se a postura assimétrica, ou seja não se deposita o peso do corpo todo na perna ao projetar o quaqril para a lateral).
Descrevendo o 3/4 shimmy "americano": 1sobe - 2desce - 3lateral 

3/4 Egyptian Walk
Na Inlgaterra o 3/4 shimmy leva o nome de Egyptian Walk e as vezes é chamado de Arabic Walk. Neste caso, o 3/4 egípcio é adequado a um deslocamento, que descrevendo como exemplo seria assim: 
passo direita frente (quadril: direito -baixo 1- sobe2- baixo3; esquerdo - baixo 1 - sobe 2 - baixo 3)

passo direita atrás: (quadril: direito -baixo 1- sobe2- baixo3; esquerdo - baixo 1 - sobe 2 - baixo 3)
 isis zahara
)O(


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